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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Cultivo da Rúcula (Eruca Sativa)



A rúcula pertence à família das Brassicaceae, como a couve manteiga, nabo e agrião. Originária da área que abrange o sul da Europa, essa verdura é muito rica em vitaminas e minerais.
O seu consumo no Brasil, possivelmente se deve a influência da colonização italiana, principalmente no Sul do Brasil e no Estado de São Paulo.Trata-se de uma das verduras preferidas em nossa mesa.
Aqui no Nordeste, essa hortaliça não era encontrada com muita frequencia nas feiras e supermercados, mas depois da notícia que era um dos alimentos recomendados para cura e prevenção da celulite, ocorreu um “boom” passageiro de procura e oferta dessa verdura.

Figura 1 – Rúcula Bella.
 Plantada em jardineira de 7,5 litros.
Depois de 69 dias de plantio das sementes, na jardineira.
Permaneceram apenas 5 plantas depois do raleamento e consumo das plantas novas.

Apresenta um sabor picante como o agrião, o que faz muita gente não apreciar muito essa hortaliça. Em forma de salada, combina bem com os pratos de carnes e peixes assados.


Figura 2 – Rúcula Cultivada, em vaso de 2 litros.

A rúcula denominada cultivada é a que geralmente encontramos no mercado. Denomina-se cultivada porque existe outra variedade denominada rúcula silvestre, mais picante e menos macia do que a cultivada. Podemos cultivar ambas variedade em vasos ou jardineiras.
A vantagem de cultivar a rúcula em casa é que ela permite a colher gradativamente algumas folhas ou brotações – nesse caso, na fase mais senil da planta-, assim podemos fazer diversas colheitas durante o ciclo de vida dessa planta, apesar de ser curto.
As folhas das plantas cultivadas em vasos e jardineiras chegam a atingir no máximo em torno de 20 a 30 cm de comprimento. Como os almeirões, a couve manteiga e a couve brócolis, a rúcula é uma verdura apropriada para o cultivo caseiro, conforme sugestões a seguir.

Vamos ao cultivo da rúcula:
1.    Plantio:
Como se trata de uma planta suscetível a virose e sensível com relação ao clima, mais apropriada para cultivo em clima ameno, sugerimos que suas sementes sejam plantadas diretamente numa jardineira ou em copos plásticos de 150 a 200 ml, para em seguida as mudas transferidas para vasilhames maiores.
Essa recomendação pode ser válida não apenas para o cultivo em vasos ou jardineiras, mas para pequenas hortas, como as urbanas, comunitárias e escolares.

1.1 Plantio das sementes em copos:
Quando replantamos a muda do copo diretamente para uma jardineira ou vaso, menos risco de virose ou definhamento.


Figura 3 – Plantio em copo.
Germinação das sementes depois de 2 dias de plantio.
Em cada copo de 150 a 200 ml são plantadas 3 a 4 sementes.

Nos copos de plásticos, efetuar pelos 4 furos no fundo e um rasgo lateral no fundo de 1 a 2 cm, com auxílio de uma pinça aquecida, para prover a drenagem e a aeração da muda. Coloque 2 cm de areia e soque, completando o copo com terra até atingir 2/3 a ¾ de altura, socando e nivelando a terra para receber as sementes.
Após a distribuição das sementes sobre a terra do copo, cobri-las com mais 0,5 a 1,0 cm de terra e socada levemente. Regue os copos e leve para um local protegido do sol direto, mas quando iniciar a germinação das sementes, as mudas devem ser expostas ao sol, efetuando regas de água diárias, se necessário.


Figura 4 – Desenvolvimento no copo.
Mudas depois de 14 dias do plantio das sementes, com 9 cm de altura.
Podem ser levadas para os vasilhames, para o desenvolvimento final.

1.2 Plantio das sementes diretamente em jardineiras:
A diferença de plantar as sementes numa jardineira, com relação ao copo, é que podemos consumir as mudas de raleamento, conhecidas como “baby leaf”, são as plantas novas retiradas da jardineira, para deixar mais espaço para que as mudas que remanescentes tenham condições de melhor desenvolvimento. No final do raleamento, as plantas devem ficar distanciadas de 10 a 15 cm entre si.


Figura 5 – Plantio em Jardineira.
Jardineira de 7,5 litros, depois de 13 dias do plantio das sementes.
Apesar da distribuição das sementes em uma linha, numa rega de água inicial desastrada, as sementes ficaram desordenadas.

Para o plantio ou replantio nas jardineiras, colocar um pedaço de tela de nylon ou sombrite, para cobrir os furos, depois 2 a 3 cm de areia socada e completando com 2/3 a 3/4 de terra, levemente socada e nivelada para receber as sementes.
Nesse caso, as sementes podem ser distribuídas numa linha central, distanciadas de 1 a 2 cm. Existem jardineiras de 12 litros, então podemos plantar 2 fileiras de sementes.
Após a distribuição das sementes sobre a terra da jardineira, cobri-las com mais 0,5 a 1,0 cm de terra e soque levemente. Regue a jardineira diariamente, evitando o ressecamento da terra.
No plantio das sementes ou replantio das mudas em jardineiras, podemos cobrir as mesmas com um pedaço de tela de nylon, que serve principalmente de proteção contra a visita de pássaros – como ocorre frequente em nossa horta -, também evita o sol muito forte, se for o caso, e serve para minorar a infestação de pragas.


Figura 6 – Desenvolvimento na jardineira.
Mesmas plantas da figura anterior.
Após 30 dias de plantio das sementes.


Figura 7 – Após raleamento das mudas.
Mesmas plantas da figura anterior.


Figura 8 – Colheita do raleamento.
Com auxílio de uma tesoura, podem ser colhidas as plantas que estão muito próximas.
Folhas maiores com 19 cm de comprimento.


2.    Replantio:
O replantio das mudas obtidas das sementes plantadas em copos, para um vasilhame maior, tanto pode ser feito para vasos de 2 litros ou jardineiras a partir de 5 a 7,5 litros. Como são várias mudas nos copos, a partir do desenvolvimento das plantas, elas também podem ser colhidas gradativamente, deixando apenas uma muda de cada copo do replantio, para o final da colheita. Procure distanciar cada copo do outro de 10 a 15 cm.


Figura 9 – Replantio.
Replantio das mudas obtidas plantando sementes em copos.
Mesmas mudas da Figura 4.


3.    Colheitas:
Inicia-se pelas colheitas de raleamento, tanto para as plantas iniciadas diretamente nas jardineiras ou as plantas originárias de plantio em copos e depois levadas para as jardineiras. São plantas novas, apropriadas para sanduiches ou adicionadas nas saladas de outras verduras.


Figura 10 – Jardineira antes do raleamento.
Após 13 dias do replantio das mudas na jardineira de 7,5 litros.
Comprimento das folhas de 15 cm.
Mesmas plantas da Figura anterior.

Figura 11 – Apos raleamento.
A mesma jardineira da figura anterior.

As plantas remanescentes do raleamento nas jardineiras, numa jardineiras de 7.5 litros, são deixadas no máximo de 3 a 4 plantas ao final. A partir daí colhemos apenas a quantidade de folhas necessárias para o consumo, ocorrendo uma colheita mais vigorosa, aguardar de 10 a 15 dias para uma nova colheita.


4.    Preparo do solo:
A terra pode ser adquirida pronta nas lojas de horticultura ou floricultura. Se for aproveitar alguma terra de cultura anterior, adicionar em torno de 30% em volume de adubo orgânico curtido, mais 1 colher de sopa de NPK e 0,5 colher de calcário moído, para cada 10 litros de terra, mas é interessante seguir a recomendação dos fabricantes para esses dois últimos produtos.
Quem for utilizar a terra de barranco – terra com argila e areia, sem nenhum trato -, misturar com adubo orgânico curtido na proporção 50% cada, mais as proporções de NPK e calcário, citadas anteriormente.


5.    Cobertura morta e adubação complementar:
Depois do replantio e raleamento, o espaço livre entre as plantas pode ser coberto com folhas secas de bambu, folhas de citronela picadas, etc, assim evita o desenvolvimento de ervas invasoras, de algas e protege as raízes.
A adubação complementar pode ser feita depois das colheitas, mas apenas se constatar que a planta não apresenta boa recuperação, por exemplo 2 cm de terra + adubo orgânico curtido (50%) ou húmus de minhoca, no vasilhame.


6.    Pragas:
A infestação de sugadores, como o pulgão, deve ser o mais prejudicial para essa verdura.
Para prevenir a infestação, semanalmente, verifique a face inferior do limbo e na parte central da planta onde ocorrem emissão de folhas novas. O melhor indício para confirmar o ataque de pulgões é a presença de diversas formigas, circulando pelos vasos ou jardineiras.

Figura 12 - Muda com pulgões.
Quando a infestação está no início, os pulgões podem ser macerados manualmente. Se a infestação é significativa, melhor deitar lateralmente o vaso ou jardineira e passar um pincel de pintura, com cerdas de dureza média e pincelar os insetos fora do vasilhame, porque retornam às plantas se permanecerem no vasilhame. O chão onde os insetos serão descartados, em torno do vasilhame, se for de piso cerâmico, pode ser molhado com uma mistura de água sanitária (água + hipoclorito de sódio).
Se as folhas começam a ficar engelhadas, pode ser infestação de vírus ou fungos, nesse caso a plantas têm seu desenvolvimento prejudicado, devendo ser substituídas por novos plantios, não utilizando a mesma terra, em seguida. Tanto no replantio, através das raízes, como através dos sugadores nas plantas, pode resultar a virose nas plantas.


7.    Dicas:
Os insetos poderão ser melhor visualizados com uma lente macro, que pode ser adquirido a preço acessível, quando utilizamos esse acessório adaptado para os celulares ou smartphone.

Figura 13 - Foto macro dos pulgões.
Mesma folha de rúcula da figura anterior, com acessório macro.

O plantio das sementes em copo torna-se uma boa opção para quem tem um cultivo caseiro, pois no copo o espaço limitado e a quantidade reduzida de nutrientes, a muda não se desenvolve muito – por exemplo já tivemos mudas que duraram 6 meses em copo e não passaram muito de 10 cm de altura -, o que propicia um replantio programada em vasos ou jardineiras, para sempre ter rúcula na sua refeição.
As plantas que são deixadas após os raleamentos, com objetivo de colher apenas as folhas, no final do período começa a presentar brotações laterais, folhas menores e principalmente os talos mais rijos.


Figura 14– Emissão de Haste Floral.
Depois de 121 dias de replantio de copos para a jardineira de 7,5 litros.


Figura 15 – Colheita da Haste Floral.
Retirada a haste principal (floral) da planta do lado esquerda da figura anterior, mas deixadas 3 brotações na base da planta.


Figura 16 – Desenvolvimento das brotações.
Depois de 19 dias da colheita anterior, figura anterior.


Figura 17 – Brotação Remanescente.
Foram colhidas 2 brotações, deixando a brotação menor.
Feita uma cobertura com terra adubada.


Figura 18 – Colheita das 2 brotações.
Não chegam a medir 20 cm de comprimento.

As folhas e seus talos, nessa fase de final de cultura, se achar que não estão macios para uma salada crua, corte em pedaços pequenos e refogue com azeite de oliva, acrescentando ovo batido. Resulta num ótimo mexido de ovo, sem necessitar de tempero.

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