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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Cultivo da Couve Komatsuna




Trata-se de uma verdura rica em vitaminas e minerais, com destaque a vitamina C, ferro e cálcio, muito apreciada no Japão e países vizinhos, utilizada em diversos tipos de pratos, podendo ser consumida crua como salada ou em forma de conservas, refogada, passada no vapor ou cozida. A Komatsuna, o horenso, a hakussai e o repolho devem ser as verduras mais consumidas no Japão.
Iniciamos o cultivo dessa verdura em casa, porque aqui em Aracaju-SE não existe oferta desse produto. Constatamos que a Komatsuna pode ser cultivada em vasos ou jardineiras pequenas.
Então além de ser nutritiva, com opções diversas na culinária, por exemplo no yakisoba combina bem, trata-se de uma verdura com ciclo curto do plantio à colheita e resistente as pragas.

Figura 1 – Komatsuna.
Planta com 38 cm de altura, cultivada numa jardineira de 30 litros.
Depois de 37 dias de replantio de copo para jardineira.

Como apresenta talos longos e folhas bem desenvolvidas, principalmente as variedades com as folhas verdes: Hakata e Wakana, se assemelham com a couve chinesa Saishin. Existe também a Komatsuna Beni, de folhas com a coloração roxa, menor que as variedades de coloração verde.

Figura 2 – Komatsuna Beni.
Planta com 16 cm de altura, com 36 dias de replantio numa jardineira de 7,5 litros.

Algumas publicações na internet tratam a Komatsuna como mostarda ou espinafre, mas essa planta não apresenta a ardência da mostarda e suas sementes nada se assemelham com as do espinafre japonês Horenso.

Vamos ao cultivo da Komatsuna:
1.    Plantio:
As sementes podem ser plantadas diretamente nas jardineiras ou em copos de 200 ml.
1.1 Plantio em jardineiras:
O plantio diretamente em jardineira, por exemplo de 7,5 a 12 litros, tem a vantagem de iniciar a colheita precocemente, consumindo as plantas novas (“baby leaf”), sendo que nessa fase inicial algumas mudas podem replantadas em copos, preservando essas mudas em copos, para replantios futuro.
O plantio pode ser feito, em uma fila central na jardineira, distanciando as sementes em 2 cm entre si.

Figura 3 – Mudas.
Jardineira de 7,5 litros.
Após 9 dias de plantio das sementes, mudas com 5 cm de altura.
O plantio foi feito com menos de 1 cm entre as sementes, então foram raleadas.

Figura 4 – Mudas após o 1º raleamento.


1.2 Plantio em copos:
O plantio das sementes diretamente em copos visa o replantio posterior das mudas para vasos ou jardineiras. Em copos plásticos de 150 a 200 ml, podem ser plantadas de 3 a 4 sementes.

Figura 5 – Plantio em copos.
Depois de 17 dias de plantio das sementes, 4 sementes em cada copo.
A taxa de germinação foi baixa.


2.    Raleamento das mudas:
No cultivo das verduras em escala comercial, as sementes geralmente são plantadas em bandejas de mudas, para posterior replantio das mudas formadas em local definitivo, com um distanciamento para que as plantas desenvolvam, no tamanho ideal programado para comercialização, em menor tempo possível.
Quando praticamos a horticultura caseira, em vasos ou jardineiras, podemos plantar as sementes mais próximas entre si, já visando o consumo de plantas novas, raleadas. Os raleamentos são feitos de modo a deixar uma distância uniforme entre as plantas, para que no final as plantas fiquem distanciadas pelo menos em torno de 10 cm entre elas.


3.    Preparo das mudas em copos e replantio:
Tanto as mudas obtidas do plantio das sementes diretamente em copos ou nas jardineiras, podem ser replantadas em copos e depois levadas para outro vasilhame, em definitivo.

Figura 6 – Replantio em copo.
Vista de uma muda com 7 cm altura, sementes inicialmente plantadas em jardineira de 7,5 litros.
Depois de 14 dias do plantio das sementes.

Figura 7 – Muda replantada.
Mesma muda da figura anterior. Muda com 2 folhas definitivas.
Observar que foi enterrado a metade do tronco na terra do copo, para que não ocorra o tombamento da muda. Quando se cultiva no chão, os agricultores chamam de amontoa de terra, para evitar o tombamento das mudas.
A maioria das couves, família das Brassicaceae, se adaptam bem no replantio feito nos copos, mesmo na fase que apresentam apenas os cotilédones - despontando as primeiras folhas. Esse tipo de procedimento é viável apenas para os cultivos caseiros e pequenas hortas comunitárias, porque em culturas extensivas ninguém vai ficar preocupado em reaproveitar mudas.


4.    Colheitas:
Tratando-se de uma verdura precoce, não compensa estender o tempo da colheita, pois seus talos tendem a ficar enrijecidos.
Para se consumir essa verdura crua, como salada – no cultivo em vasos ou jardineiras -, ela deve ser colhida após 20 a 30 dias do plantio ou replantio, quando ela se desenvolve até entre 20 a 30 cm de altura.

Figura 8 – Plantas desenvolvidas.
As plantas que permaneceram nas jardineiras, depois de 39 dias do plantio das sementes, com 25 cm de altura.

Figura 9 – Colheita.
Plantas da figura anterior colhidas.
Devido concorrência na jardineira de 7,5 litros, as folhas e os talos não ficam muito encorpados.

Figura 10 – Colheita da Komatsuna Wakana.
Depois de 28 dias do replantio do copo (Figura 7) para a jardineira de 30 litros, a planta maior com 40 cm de altura.
Observar a diferença das plantas que permaneceram na jardineira de 7,5 litros (Figura 9), com a replantada em copo e depois na jardineira de 30 litros (Figura 10).


5.    Preparo do vasilhame de plantio e terra:
Tanto nos vasos ou jardineiras, o fundo deve ser coberto com um pedaço de tela de nylon ou sombrite, acrescentado em torno de 3 cm de areia socada, para posteriormente cobrir com terra adubada, atingindo 2/3 da altura do vasilhame.
No caso do plantio das sementes ou replantio de mudas raleadas em copos plásticos de 150 a 200 ml, preparar esses copos com pelo menos 4 furos no fundo e um rasgo lateral no fundo de 1 a 2 cm, para depois cobrir com 1 a 2 cm de areia socada e mais terra, completando de 2/3 a ¾ da altura do copo.
A terra pode ser adquirida em casas de horticultura ou floricultura. Se for aproveitada terra de cultivo anterior, acrescentar em torno de 20 % de adubo orgânico ou húmus de minhoca, sendo que para cada vasilhame de 7,5 litros acrescentar 1/2 colher de sopa de NPK mais 1 colher de chá de calcário, mas para esses 2 últimos produtos, seguir a recomendações do fabricante.


6.    Cobertura morta e adubação complementar:
Por se tratar de uma cultura de ciclo curto e com desenvolvimento precoce dos talos e folhas, não deve exigir a cobertura morta.
Quanto a adubação complementar é interessante a partir das plantas atingirem mais de 10 cm de altura, devido à concorrência pelos nutrientes, então após as colheitas ou quando notar que as plantas não estão se desenvolvendo bem, acrescentar por cobertura 2 cm de terra adubada ou húmus de minhoca, por isso a recomendação de iniciar a cultura com 2/3 a ¾ da altura do vasilhame com terra, propiciando espaço para acrescentar a adubação complementar.


7.    Pragas:
Existe a lagarta que ataca a ponteira dessa verdura e faz um canal no tronco da planta, praticamente inviabiliza o seu desenvolvimento. Ela é detectada em plantas mais desenvolvidas, porque fazem do tronco o seu refúgio. Infelizmente localizamos esse inseto quando a planta já está prejudicada, plantas em torno de 10 cm de altura, com tronco perfurado, como a figura a seguir.

Figura 11 – Planta atacada por lagarta.
No caso dessa lagarta, interessante é cobrir o vaso ou a jardineira com um pedaço de tela de nylon ou colocar uma pitada de Bacillus_thuringiensis, em sua ponteira, lembrando que uma chuva ou uma rega podem remover essa medida de prevenção.

Figura 12 – Folha nova infestada de pulgões.
Os pulgões também atacam a Komatsuna, retardando o desenvolvimento das mudas. Como esses insetos se multiplicam muito rapidamente, pode ocorrer o definhamento da planta. Em clima mais ameno que o nosso, essa praga pode não ser problema.
Esses insetos se instalam principalmente nas folhas mais novas. No início da infestação, elas podem ser eliminadas manualmente, isto é, macerando esses insetos com os dedos. Se a infestação estiver avançada, deve ser deitado o vaso ou a jardineira, e com auxílio de um pincel de cerda de ponta achatada, com dureza média, pincelar os insetos para fora do vasilhame. Se tiver piso artificial na horta, derramar na área onde insetos irão cair, um pouco de água sanitária (água + hipoclorito de sódio).
Por exemplo jardineiras de 5 a 12 litros são fáceis de deitar, para expulsar os sugadores, mas as maiores como de 30 litros, onde se tem um desenvolvimento melhor das plantas, a remoção desses insetos se torna mais difícil.
Se notar que está ocorrendo a presença do pulgão, com muita frequência, nos vasos e jardineiras, e o chão da horta tiver piso artificial (não ser de terra), molhe o entorno dos vasos ou jardineiras, com um filete de água sanitária (hipoclorito de sódio), uma vez por semana, depois das regas. Supõe-se que os vasos e jardineiras não estejam em contado direto com o piso, principalmente para facilitar a drenagem do excesso de água e aeração do vaso.


Figura 13 – Foto macro da figura anterior.


8.    Dicas:
Para o consumo da Komatsuna, semelhante as outras verduras da família Brassicaceae, onde o talo da folha representa boa parte do volume da planta, essa parte não deve ser desperdiçada.
Se tiver como objetivo consumir mudas novas, apresentamos um exemplo da Komatsuna Wakana cultivada em jardineira de 7,5 litros:

Figura 14 – Desenvolvimento sem raleamento.
Após 12 dias do plantio das sementes (distanciadas entre si de 1 cm), em uma jardineira de 7,5 litros, apenas com ½ da altura com terra.
Feita uma cobertura com terra, pois as plantas estavam ficando com troncos alongados, devido à concorrência de luz.

Figura 15 – Ponto de Colheita.
Após 19 dias do plantio das sementes, plantas com 15 cm de altura.

Figura 16 – Detalhe das Plantas.
Depois de 28 dias do plantio das sementes, plantas com 20 cm de altura.

Sem raleamentos (colheitas) anteriores, pode se observar que se trata de uma verdura interessante para o cultivo visando consumo da verdura na fase “baby leaf”.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Cultivo da Rúcula (Eruca Sativa)



A rúcula pertence à família das Brassicaceae, como a couve manteiga, nabo e agrião. Originária da área que abrange o sul da Europa, essa verdura é muito rica em vitaminas e minerais.
O seu consumo no Brasil, possivelmente se deve a influência da colonização italiana, principalmente no Sul do Brasil e no Estado de São Paulo.Trata-se de uma das verduras preferidas em nossa mesa.
Aqui no Nordeste, essa hortaliça não era encontrada com muita frequencia nas feiras e supermercados, mas depois da notícia que era um dos alimentos recomendados para cura e prevenção da celulite, ocorreu um “boom” passageiro de procura e oferta dessa verdura.

Figura 1 – Rúcula Bella.
 Plantada em jardineira de 7,5 litros.
Depois de 69 dias de plantio das sementes, na jardineira.
Permaneceram apenas 5 plantas depois do raleamento e consumo das plantas novas.

Apresenta um sabor picante como o agrião, o que faz muita gente não apreciar muito essa hortaliça. Em forma de salada, combina bem com os pratos de carnes e peixes assados.


Figura 2 – Rúcula Cultivada, em vaso de 2 litros.

A rúcula denominada cultivada é a que geralmente encontramos no mercado. Denomina-se cultivada porque existe outra variedade denominada rúcula silvestre, mais picante e menos macia do que a cultivada. Podemos cultivar ambas variedade em vasos ou jardineiras.
A vantagem de cultivar a rúcula em casa é que ela permite a colher gradativamente algumas folhas ou brotações – nesse caso, na fase mais senil da planta-, assim podemos fazer diversas colheitas durante o ciclo de vida dessa planta, apesar de ser curto.
As folhas das plantas cultivadas em vasos e jardineiras chegam a atingir no máximo em torno de 20 a 30 cm de comprimento. Como os almeirões, a couve manteiga e a couve brócolis, a rúcula é uma verdura apropriada para o cultivo caseiro, conforme sugestões a seguir.

Vamos ao cultivo da rúcula:
1.    Plantio:
Como se trata de uma planta suscetível a virose e sensível com relação ao clima, mais apropriada para cultivo em clima ameno, sugerimos que suas sementes sejam plantadas diretamente numa jardineira ou em copos plásticos de 150 a 200 ml, para em seguida as mudas transferidas para vasilhames maiores.
Essa recomendação pode ser válida não apenas para o cultivo em vasos ou jardineiras, mas para pequenas hortas, como as urbanas, comunitárias e escolares.

1.1 Plantio das sementes em copos:
Quando replantamos a muda do copo diretamente para uma jardineira ou vaso, menos risco de virose ou definhamento.


Figura 3 – Plantio em copo.
Germinação das sementes depois de 2 dias de plantio.
Em cada copo de 150 a 200 ml são plantadas 3 a 4 sementes.

Nos copos de plásticos, efetuar pelos 4 furos no fundo e um rasgo lateral no fundo de 1 a 2 cm, com auxílio de uma pinça aquecida, para prover a drenagem e a aeração da muda. Coloque 2 cm de areia e soque, completando o copo com terra até atingir 2/3 a ¾ de altura, socando e nivelando a terra para receber as sementes.
Após a distribuição das sementes sobre a terra do copo, cobri-las com mais 0,5 a 1,0 cm de terra e socada levemente. Regue os copos e leve para um local protegido do sol direto, mas quando iniciar a germinação das sementes, as mudas devem ser expostas ao sol, efetuando regas de água diárias, se necessário.


Figura 4 – Desenvolvimento no copo.
Mudas depois de 14 dias do plantio das sementes, com 9 cm de altura.
Podem ser levadas para os vasilhames, para o desenvolvimento final.

1.2 Plantio das sementes diretamente em jardineiras:
A diferença de plantar as sementes numa jardineira, com relação ao copo, é que podemos consumir as mudas de raleamento, conhecidas como “baby leaf”, são as plantas novas retiradas da jardineira, para deixar mais espaço para que as mudas que remanescentes tenham condições de melhor desenvolvimento. No final do raleamento, as plantas devem ficar distanciadas de 10 a 15 cm entre si.


Figura 5 – Plantio em Jardineira.
Jardineira de 7,5 litros, depois de 13 dias do plantio das sementes.
Apesar da distribuição das sementes em uma linha, numa rega de água inicial desastrada, as sementes ficaram desordenadas.

Para o plantio ou replantio nas jardineiras, colocar um pedaço de tela de nylon ou sombrite, para cobrir os furos, depois 2 a 3 cm de areia socada e completando com 2/3 a 3/4 de terra, levemente socada e nivelada para receber as sementes.
Nesse caso, as sementes podem ser distribuídas numa linha central, distanciadas de 1 a 2 cm. Existem jardineiras de 12 litros, então podemos plantar 2 fileiras de sementes.
Após a distribuição das sementes sobre a terra da jardineira, cobri-las com mais 0,5 a 1,0 cm de terra e soque levemente. Regue a jardineira diariamente, evitando o ressecamento da terra.
No plantio das sementes ou replantio das mudas em jardineiras, podemos cobrir as mesmas com um pedaço de tela de nylon, que serve principalmente de proteção contra a visita de pássaros – como ocorre frequente em nossa horta -, também evita o sol muito forte, se for o caso, e serve para minorar a infestação de pragas.


Figura 6 – Desenvolvimento na jardineira.
Mesmas plantas da figura anterior.
Após 30 dias de plantio das sementes.


Figura 7 – Após raleamento das mudas.
Mesmas plantas da figura anterior.


Figura 8 – Colheita do raleamento.
Com auxílio de uma tesoura, podem ser colhidas as plantas que estão muito próximas.
Folhas maiores com 19 cm de comprimento.


2.    Replantio:
O replantio das mudas obtidas das sementes plantadas em copos, para um vasilhame maior, tanto pode ser feito para vasos de 2 litros ou jardineiras a partir de 5 a 7,5 litros. Como são várias mudas nos copos, a partir do desenvolvimento das plantas, elas também podem ser colhidas gradativamente, deixando apenas uma muda de cada copo do replantio, para o final da colheita. Procure distanciar cada copo do outro de 10 a 15 cm.


Figura 9 – Replantio.
Replantio das mudas obtidas plantando sementes em copos.
Mesmas mudas da Figura 4.


3.    Colheitas:
Inicia-se pelas colheitas de raleamento, tanto para as plantas iniciadas diretamente nas jardineiras ou as plantas originárias de plantio em copos e depois levadas para as jardineiras. São plantas novas, apropriadas para sanduiches ou adicionadas nas saladas de outras verduras.


Figura 10 – Jardineira antes do raleamento.
Após 13 dias do replantio das mudas na jardineira de 7,5 litros.
Comprimento das folhas de 15 cm.
Mesmas plantas da Figura anterior.

Figura 11 – Apos raleamento.
A mesma jardineira da figura anterior.

As plantas remanescentes do raleamento nas jardineiras, numa jardineiras de 7.5 litros, são deixadas no máximo de 3 a 4 plantas ao final. A partir daí colhemos apenas a quantidade de folhas necessárias para o consumo, ocorrendo uma colheita mais vigorosa, aguardar de 10 a 15 dias para uma nova colheita.


4.    Preparo do solo:
A terra pode ser adquirida pronta nas lojas de horticultura ou floricultura. Se for aproveitar alguma terra de cultura anterior, adicionar em torno de 30% em volume de adubo orgânico curtido, mais 1 colher de sopa de NPK e 0,5 colher de calcário moído, para cada 10 litros de terra, mas é interessante seguir a recomendação dos fabricantes para esses dois últimos produtos.
Quem for utilizar a terra de barranco – terra com argila e areia, sem nenhum trato -, misturar com adubo orgânico curtido na proporção 50% cada, mais as proporções de NPK e calcário, citadas anteriormente.


5.    Cobertura morta e adubação complementar:
Depois do replantio e raleamento, o espaço livre entre as plantas pode ser coberto com folhas secas de bambu, folhas de citronela picadas, etc, assim evita o desenvolvimento de ervas invasoras, de algas e protege as raízes.
A adubação complementar pode ser feita depois das colheitas, mas apenas se constatar que a planta não apresenta boa recuperação, por exemplo 2 cm de terra + adubo orgânico curtido (50%) ou húmus de minhoca, no vasilhame.


6.    Pragas:
A infestação de sugadores, como o pulgão, deve ser o mais prejudicial para essa verdura.
Para prevenir a infestação, semanalmente, verifique a face inferior do limbo e na parte central da planta onde ocorrem emissão de folhas novas. O melhor indício para confirmar o ataque de pulgões é a presença de diversas formigas, circulando pelos vasos ou jardineiras.

Figura 12 - Muda com pulgões.
Quando a infestação está no início, os pulgões podem ser macerados manualmente. Se a infestação é significativa, melhor deitar lateralmente o vaso ou jardineira e passar um pincel de pintura, com cerdas de dureza média e pincelar os insetos fora do vasilhame, porque retornam às plantas se permanecerem no vasilhame. O chão onde os insetos serão descartados, em torno do vasilhame, se for de piso cerâmico, pode ser molhado com uma mistura de água sanitária (água + hipoclorito de sódio).
Se as folhas começam a ficar engelhadas, pode ser infestação de vírus ou fungos, nesse caso a plantas têm seu desenvolvimento prejudicado, devendo ser substituídas por novos plantios, não utilizando a mesma terra, em seguida. Tanto no replantio, através das raízes, como através dos sugadores nas plantas, pode resultar a virose nas plantas.


7.    Dicas:
Os insetos poderão ser melhor visualizados com uma lente macro, que pode ser adquirido a preço acessível, quando utilizamos esse acessório adaptado para os celulares ou smartphone.

Figura 13 - Foto macro dos pulgões.
Mesma folha de rúcula da figura anterior, com acessório macro.

O plantio das sementes em copo torna-se uma boa opção para quem tem um cultivo caseiro, pois no copo o espaço limitado e a quantidade reduzida de nutrientes, a muda não se desenvolve muito – por exemplo já tivemos mudas que duraram 6 meses em copo e não passaram muito de 10 cm de altura -, o que propicia um replantio programada em vasos ou jardineiras, para sempre ter rúcula na sua refeição.
As plantas que são deixadas após os raleamentos, com objetivo de colher apenas as folhas, no final do período começa a presentar brotações laterais, folhas menores e principalmente os talos mais rijos.


Figura 14– Emissão de Haste Floral.
Depois de 121 dias de replantio de copos para a jardineira de 7,5 litros.


Figura 15 – Colheita da Haste Floral.
Retirada a haste principal (floral) da planta do lado esquerda da figura anterior, mas deixadas 3 brotações na base da planta.


Figura 16 – Desenvolvimento das brotações.
Depois de 19 dias da colheita anterior, figura anterior.


Figura 17 – Brotação Remanescente.
Foram colhidas 2 brotações, deixando a brotação menor.
Feita uma cobertura com terra adubada.


Figura 18 – Colheita das 2 brotações.
Não chegam a medir 20 cm de comprimento.

As folhas e seus talos, nessa fase de final de cultura, se achar que não estão macios para uma salada crua, corte em pedaços pequenos e refogue com azeite de oliva, acrescentando ovo batido. Resulta num ótimo mexido de ovo, sem necessitar de tempero.

domingo, 15 de novembro de 2015

Cultivo da Couve Manteiga


A couve manteiga, depois da alface, juntamente com o repolho, provavelmente sejam as verduras mais consumidas no Brasil. Hortaliça rica em ferro, cálcio e vitaminas, por isso recomendado consumir cru, em forma de suco ou salada feita da folha picada bem fina.
A salada refogada com bacon é um acompanhante indispensável da feijoada, um dos pratos típicos do Brasil. Originária da região mediterrânica, com diversas variedades, mas a mais consumida no Brasil, deve ser a variedade cabocla.

Figura 1 - Couve manteiga cabocla ou lisa.

Devido a sua rusticidade e longevidade, essa verdura está presente nas hortas caseiras, comunitárias e escolares. Se cultivada no chão chega a atingir 4 metros de altura, podendo apresentar alguns troncos secundários.
A previsão de consumo da couve manteiga no Brasil deve ser complicada, considerando que muitas famílias ainda podem cultivar essa couve no fundo do quintal. Aqui em casa, por exemplo, não compramos a couve manteiga no comércio, pois juntamente com as folhas da brócolis ramoso, a nossa feijoada está sempre bem acompanhada.

Figura 2 - Couve manteiga tronchuda.

Mesmo com espaço limitado em casa ou apartamento, pode ser cultivada, desde que receba uma boa insolação, a partir de vaso com capacidade de 5 litros. Se tiver em produção 2 a 3 vasos, é possível consumir essa verdura semanalmente.

Figura 3 – Cultivo em vaso pequeno.
Vaso de 5 litros, com 3 meses após o replantio do copo para o vaso, da couve manteiga cabocla. Essa mesma depois de um ano de replantio, ainda continuava produzindo.

Susceptível ao ataque de pragas, a couve manteiga pode receber aplicação de defensivos agrícolas, portanto o consumo dessa hortaliça, obtida em sua horta, seria recomendável.


            Vamos ao cultivo da couve manteiga em vasos:
1.      Plantio:
Para o cultivo da couve manteiga em vasos, recomendamos iniciar o plantio das sementes em copos plásticos de 150 a 200 ml. Plante 3 a 4 sementes em cada copo. Depois de 3 dias após o plantio, as sementes começam a germinar.

Figura 4 – Plantio em copo.
Muda depois de 5 dias do plantio, em copo de 200 ml.

O copo plástico deve receber alguns furos no fundo e pelo menos um pequeno rasgo lateral no fundo, para promover a drenagem da água e a circulação de ar. Podendo ser utilizada uma pinça metálica aquecida, para efetuar os furos, sendo 4 furos no fundo e um rasgo lateral no fundo do copo de 2 cm.
Depois de perfurado, adicionar 2 cm de areia socada, em seguida complete com terra até atingir 2/3 ou 3/4 da altura do copo, nivele a terra e soque novamente.
São feitos 2 a 3 furos distribuídos na superfície, com auxílio de um palito de fósforo ou outro material, com profundidade de 0,5 cm, onde colocamos uma semente em cada furo. Regue com cuidado e coloque o copo em local sombreado, mas com luminosidade. Assim que iniciar a germinação das plantas, o copo pode ser levado para local que receba os raios solares.

Figura 5 – Desenvolvimento da muda.
Muda depois de 25 dias do plantio das sementes.

O plantio das sementes em copos, para essa verdura proporciona menos perdas no replantio, como as mudas duram alguns meses nos copos, as mesmas podem substituir eventual perdas do replantio feito.


2.      Replantio em local definitivo:
Quando a muda apresentar 4 folhas definitivas ou mais, pode ser replantado em vasos ou em jardineiras, nesse caso é possível replantar até 3 copos com mudas.


Figura 6 – Replantio da muda.
Mudas com 25 dias de plantio das sementes, sendo replantadas em vaso definitivo de 12 litros.

O replantio pode ser feito com todas as mudas do copo. Depois de confirmar o vingamento das plantas, isto é passado alguns dias do replantio, as plantas começam a emitir novas folhas. Então deixe a planta mais sadia, eliminando as demais, cortando na base, com auxílio de uma tesoura.

Figura 7 - Mudas replantadas.
O vaso deve ter seus furos cobertos com uma tela de nylon ou sombrite, adicionando 3 a 4 cm de areia de granulometria média e depois completada com terra até atingir 2/3 a ¾ da altura do vaso, assim possibilitando a completar, futuramente, o vaso com mais terra adubada.
No replantio, a terra da borda do vaso pode receber um reforço de adubo orgânico curtido.

Figura 8 - Depois de 12 dias de replantio no vaso.

Figura 9 – Planta desenvolvida.
Depois de 45 dias do replantio para o vaso definitivo.
Pelo menos 6 folhas já poderiam ser colhidas.


3.      Colheita:
A colheita pode ser iniciada, quando a planta atingir mais de 20 cm de altura, mas sempre deixar pelo menos 4 folhas na planta, para que não venha a definhar.

Figura 10 - Depois de 105 dias do replantio no vaso.
Não se trata da mesma planta da sequência anterior.


Figura 11 - Depois de 334 dias do replantio em vaso.

A couve manteiga cultivada em vaso de 10 litros pode produzir mais de uma centena de folhas, chegando a produzir até 1,5 anos. Em vaso de 20 litros, a produção chega a durar mais de 2 anos, produzindo em torno de duas centenas de folhas. Com o passar do tempo, as folhas vão diminuindo de tamanho.


4.      Terra para o vaso e a rega:
Utilize terra comprada pronta em casa especializada de horticultura ou jardinagem. Em caso de reaproveitamento de terra utilizada em cultura anterior, acrescente adubação orgânica, misturando a cada 5 litros de terra, 1 litro de adubo orgânico curtido, 1 colher de chá de NPK e ½ colher de chá de calcário, mas para esses 2 últimos produtos melhor seguir as recomendações dos fabricantes.
Com a adubação orgânica, a terra perde menos umidade logo depois de feito o replantio. Com o crescimento da planta e o consumo da matéria orgânica, a rega deve ser mais frequente, praticamente a couve manteiga deve ser regada com água, diariamente.


5.      Insetos:
Como dito, essa verdura é muito suscetível ao ataque de pragas, comum nas plantas da família das Brassicaseae. As moscas brancas, os pulgões e as lagartas são frequentadoras da couve manteiga.
Se for constatada a presença de mosca branca, pode ser colocado um pedaço de tela de nylon em volta da planta.


Figura 12 – Tela de nylon.
Planta cultivada em vasos em torno de 5 litros de capacidade.
A tela fica apoiada em um pedaço de haste de bambu seco ou baguetes de madeira (peça para fixar vidros, em janelas de madeira), com auxílio de um prendedor de roupa para varal.
Se notar que a infestação acabou, a tela pode ser retirada.

Se colocar um vasilhame cultivado com citronela, dentro do vaso da couve, também ajuda a repelir os insetos. Estamos cultivando a citronela em copos de “noodle”, para essa finalidade, basta efetuar 4 furos laterais no fundo do copo.
Quanto aos pulgões, se a infestação é pequena, basta macerar os pulgões com os dedos. No caso desse inseto já tiver formado colônias, deite o vaso e passe um “spray” de água com a uma mangueira ou retire os mesmos com auxílio de um pincel, jogando os insetos para fora do vaso.
Se o chão do vaso é feito de piso artificial, basta espalhar um pouco de água sanitária (água + hipoclorito de sódio), para acabar com esse inseto. No caso do piso em terra, melhor pincelar esses insetos para dentro de um saco plástico, depois deixando o saco fechado em local que receba os raios solares.
As lagartas, basta macerá-las manualmente, quanto se constata que as folhas estão roídas.

Figura 13 – Folha da couve infestada de sugadores.
Se forem ninfas, basta esfregar, com cuidado, um guardanapo de papel.


6.      Adubação Complementar e Cobertura Morta:
A cada 30 dias, coloque por cobertura, de preferência na borda do vaso, 100 ml a 200 ml de terra mais adubo orgânico curtido (50 % em volume) ou húmus de minhoca, em vaso de 5 litros.
Por ser uma planta da família Brassicaceae e longeva, recomenda-se aplicação de micronutrientes como o boro e molibdênio, ao verificar que a planta não apresenta um bom desenvolvimento, então para quem pratica o cultivo no quintal pode comprar algum tipo de fertilizante líquido, que contenha esses elementos, misturando com água e regando a planta a cada intervalo de 30 dias, por exemplo, seguindo as recomendações do fabricante do produto. O adubo pode ser foliar, mas regue as raízes, pois iremos consumir as folhas.
Logo após o replantio, coloque uma cobertura morta (folhas picadas da palmeira, citronela ou bambu, na falta desses produtos pode ser utilizada a argila expandida ou pedriscos), para proteção das raízes, minimiza a evaporação da água e previne o desenvolvimento de ervas invasoras.


7.      Dicas:
Para o cultivo caseiro, dê preferencia a couve manteiga de folha lisa ou a cabocla, porque é mais fácil eliminar os insetos.
O plantio da couve manteiga pode ser feito através de sementes ou brotações laterais, esse último procedimento não foi possível realizar no cultivo em vasos ou jardineiras, pois aqui não apresentaram brotações laterais desenvolvidas, mas quando a planta é cultivada no chão, pode emitir muitas brotações.
Na colheita, corte o talo com auxílio de uma tesoura, rente ao tronco da planta.


Figura 14 – Detalhe do corte da colheita.

Se fizer a renovação da cultura, a cada 6 meses, vai obter colheitas de folhas maiores e talos mais suculentos e macios, porque essa parte pode ser refogada e consumida juntamente com as folhas.