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terça-feira, 24 de março de 2015

Cultivo da Manjerona


                A manjerona (Origanum majorana) é uma erva condimentar pertencente à família das Lamiaceae, mesma do alecrim, da salvia, do tomilho e outras ervas condimentares, as duas primeiras se desenvolvem formando um tronco principal. A manjerona, como o tomilho tendem a desenvolver muitos ramos, então requerem maior atenção no cultivo.

Figura 1 – Manjerona.
Mesmo vaso da Figura 9, depois de 102 dias.
Acreditamos que a manjerona, entre as ervas que já cultivamos, é a que exala um aroma mais agradável.
Apresentaremos o cultivo da manjerona iniciada pelas sementes e a multiplicação através de planta que cultivamos em casa. Com relação ao cultivo iniciado com mudas adquiridas prontas, deve ser semelhante ao apresentado no Cultivo do Tomilho.

Vamos ao cultivo da manjerona em vasos:

 1. Cultivo iniciado através plantio de sementes:
Apresentamos o plantio das sementes em vaso de muda, volume em torno de 0,5 litro, colocando um pedaço de tela de nylon ou sombrite no fundo, 2 cm de areia de granulometria média ou grossa, dê uma leve socada na areia e acrescente terra até atingir entre 2/3 a ¾ da altura do vaso e nivele e soque a terra. As sementes devem ser distribuídas distanciadas 0,5 a 1,0 cm entre elas. Acrescente com cuidado mais 0,5 cm de terra em cima das sementes, regue e coloque em local sombreado, mas com luminosidade.

Figura 2 – Distribuição das sementes no vaso.
O plantio pode ser iniciado em copo plástico de 200 ml, efetuando 4 furos no fundo e um rasgo lateral de 1 cm no fundo, com auxílio de uma pinça metálica aquecida, nesse caso não é necessário colocar a tela de nylon, apenas a areia no fundo e terra.
Outra opção é plantar as sementes em vaso maior, de preferência de profundidade menor e área maior, ou numa jardineira, sem necessidade de efetuar replantio, no caso das plantas apresentadas nas Figura 1, 9 e 10.

Figura 3 – Germinação das sementes.
Passado uma semana do plantio das sementes, as pequenas mudas começarão a aparecer.
No exemplo foi colocada uma folha de papel toalha sobre a terra que cobriu as sementes. Outra opção é colocar uma camada de areia fina, sobre as sementes.

Figura 4 – Desenvolvimento da muda.
Passado um mês, as mudas terão aproximadamente 5 cm de altura e poderão ser colocados em local mais ensolarado.
Foi colocada uma camada de perlita para evitar proliferação de algas.

Figura 5 – Retirada da muda para o replantio.
Para retirar a muda com um torrão, com auxílio de uma faca pequena, espeta-se a faca na terra para retirar um torrão de forma piramidal. Nesse procedimento, a terra não deve estar muito úmida ou seja logo depois da rega.
Mantenha a muda e o torrão, sobre a faca, conforme foi retirado do vaso.

Figura 6 – Transferência da muda.
O novo vasilhame está com a terra preparada para receber a muda e o torrão original.

Figura 7 – Muda pronta.
Nivele a terra e soque com a extremidade do cabo da faca e adicione uma camada de pedriscos.
Regue com cuidado e coloque em local protegido do sol direto, mas com iluminação.
A muda pode ser colocada em local mais ensolarado, quando iniciar a emissão de novas folhas.

Se iniciar o plantio em copo, as mudas serão levadas ao vaso ou jardineira definitiva, sem passar pela etapa acima.

Figura 8 – Desenvolvimento da muda.
A mesma muda da Figura 7, depois de 68 dias do replantio.
Ramo principal com 20 cm de comprimento. Foi replantado com 5 cm, então com 10 cm de comprimento, a muda poderia ser transferida para um vaso em definitivo.

O plantio poderá ser feito em vaso definitivo, por exemplo, como no exemplo a seguir:

Figura 9 – Mudas em vasos de 3,5 litros.
As sementes são distribuídas conforme a Figura 1.
Nesse plantio, não registramos maiores detalhes, porque não se previa fazer publicação em blog, mas as mudas devem estar com mais 30 dias a partir do plantio das sementes.
Nessa fase, o vaso pode ser coberto com uma camada de pedriscos, para proteção das raízes e também evita a proliferação de ervas daninhas e algas.
Os pedriscos são colocados gradativamente na borda do vaso e levados ao centro com auxílio de um palito de churrasco ou “hashi”.


  2. Desenvolvimento da planta e colheita:

Figura 10 – Desenvolvimento das mudas.
As mudas depois de 39 dias, da Figura 9.
Nessa fase já podem ser coletados alguns ramos para consumo, retirando os ramos na base, em pontos alternados no vaso.


  3. Floração:
Pode ser efeito climático, mas a manjerona e a lavanda começam emitir flores antes das outras plantas da mesma família.

Figura 11 – Floração.
As mudas depois de 108 dias, da Figura 9.
Planta pode ser utilizado até para decoração de ambientes.


   4. Renovação da cultura:

Figura 12 – Planta a ser renovada.
No caso, as mudas da Figura 9, depois de 218 dias.
Praticamente sem colheita ou podas, a planta apresenta muitos ramos debilitados.

4.1   Muda obtida por ramos enraizados

Figura 13 – Muda nova.
Retire uma parte do estolho com ramos novos juntamente com torrão de terra, utilizando uma faca, e transporte para um vaso novo, seguindo os mesmos procedimentos apresentados a partir da Figura 5.

4.2   Muda de estacas

Figura 14 – Muda obtida de ramos.
Retire ramos planta com 5 cm ou mais, as folhas dos 3 primeiros nós devem ser eliminadas.
Interessante que o ramo novo seja retirado no ponto de junção com o ramo de origem, a chance de vingar é maior.

Figura 15 – Plantio dos ramos.
No vaso preparado para receber a muda, espete um palito na terra com uma profundidade aproximada ao comprimento da parte dos ramos que tiveram suas folhas retiradas.
Coloque os ramos nos furos e comprima a terra em torno das mudas.
Regue e coloque em local sombreado, mas com luminosidade.
Depois da emissão de novas folhas, as mudas poderão ser levadas para local mais ensolarado.
Como nem todos ramos poderão vingar, plante mais de um ramo por vaso.

4.3   Mudas de mergulhia

Figura 16 – Mudas de mergulhia.
Coloque os vasos que receberão as mudas ao lado de uma planta que tenha ramos longos. No exemplo o vaso à direita é a planta mãe.
Os ramos deverão chegar ao centro dos vasos novos, com um excesso de pelo menos 3 nós (cada nó tem 2 folhas), então antes desses 3 nós, retire as folhas de 3 a 4 nós anteriores.
Essa parte que foram retiradas as folhas deve ficar enterrada no vaso novo, na profundidade de 1 cm, aproximadamente.
Para evitar que os ramos da mergulhia se desprendam do vaso novo, a parte enterrada pode ser fixada com hachis ou palitos de churrascos, cruzados rente à superfície, ou colocar por cima um pedregulho com 3 a 4 cm de diâmetro.
A manjerona, como o tomilho, se plantada em uma jardineira, os ramos que encostam no solo, naturalmente irão formar mudas de mergulhia.


    5. Terra, vasos, podas, colheita e adubação complementar:

A terra pode ser preparada da mesma maneira apresentada na postagem Cultivo do Alecrim.
Produz bem, mesmo em vasos ou jardineiras pequenas, com capacidade de 2 a 5 litros.
Como todas ervas condimentares, na colheita já se pratica a poda, basicamente deve se evitar a sobreposição entre os ramos.
Mais fácil o trato do que o tomilho, porque os ramos são mais eretos.
A adubação complementar pode ser semelhante a recomendada na postagem Cultivo do Tomilho.


   6. Dicas:
Comparando-se as ervas condimentares que já cultivamos, como o alecrim, o manjericão, a salvia e o tomilho, a manjerona é a planta que exigiu renovação com menor período de tempo. Por exemplo, o alecrim, dura vários anos, em um mesmo vaso, mesmo com pouca atenção, bastando não esquecer da rega de água e adubação complementar quando a planta começa apresentar sinais de enfraquecimento, como parar de emitir novos ramos e queda acentuada de folhas.

Sobre a muda pronta da manjerona, adquirida no comércio, assim que for levada para casa não se deve colocar em ambiente com sol muito forte. Por se tratar de uma planta mais delicada, se a muda foi obtida em ambiente climatizado, como numa estufa, vai sentir a mudança de ambiente.